A preparação para M&A começa muito antes de qualquer negociação. Enquanto parte do mercado desacelera no Carnaval, empresas mais estratégicas usam fevereiro como um período decisivo para estruturar dados, ajustar processos e fortalecer seu posicionamento para futuras fusões, aquisições ou rodadas de investimento.
Embora muitos empresários enxerguem fevereiro como um mês de transição, no mercado de M&A esse comportamento cria uma vantagem competitiva clara. Quem se organiza agora chega ao primeiro semestre pronto para agir. Quem espera, geralmente negocia sob pressão.
Fevereiro não é pausa. É janela estratégica.
Em processos de M&A, o timing influencia diretamente o valuation. Empresas que entram despreparadas costumam aceitar condições piores, seja por necessidade de capital, sucessão mal planejada ou consolidação forçada do setor.
Historicamente, fevereiro oferece um cenário favorável porque:
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Os números do ano anterior já estão consolidados
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O planejamento estratégico está definido
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A operação tende a estar mais previsível
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O mercado começa a se movimentar para o primeiro semestre
Por isso, organizações maduras utilizam esse período para organizar dados financeiros, revisar indicadores e alinhar governança, enquanto concorrentes ainda estão retomando o ritmo após o feriado.
Preparação para M&A começa antes do comprador aparecer
Um erro comum é acreditar que a venda de uma empresa começa quando surge um interessado. Na prática, o processo começa muito antes, dentro da própria operação.
Empresas que saem na frente normalmente já estruturaram:
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Governança corporativa clara
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Demonstrações financeiras auditáveis
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Indicadores de desempenho consistentes
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Redução da dependência do fundador
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Processos documentados e replicáveis
Esses fatores não apenas aumentam o valuation percebido, como também reduzem riscos durante a due diligence e aceleram negociações.
Segundo dados da PwC Brasil, empresas com governança estruturada chegam a obter múltiplos até 30% superiores em processos de venda quando comparadas a negócios sem organização financeira adequada.
(Fonte: PwC Brasil – Relatórios de M&A)
Quem se prepara escolhe. Quem não se prepara aceita.
No mercado de M&A, vantagem não está em aparecer primeiro, mas em aparecer melhor estruturado.
Empresas despreparadas tendem a:
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Aceitar descontos agressivos
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Sofrer auditorias longas e desgastantes
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Perder poder de barganha
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Depender excessivamente de cláusulas restritivas
Por outro lado, empresas que investem em preparação para M&A conseguem:
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Negociar múltiplos mais altos
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Escolher investidores estratégicos
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Definir melhor o momento da transação
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Preservar cultura e governança
Além disso, relatórios da KPMG Global M&A Outlook mostram que organizações com processos maduros fecham operações até 40% mais rápido do que empresas sem estrutura prévia.
(Fonte: KPMG Global M&A Outlook)
O Carnaval passa. O valuation permanece.
Enquanto alguns empresários tratam fevereiro como um mês de espera, outros utilizam esse período para revisar estrutura societária, ajustar indicadores e alinhar estratégia de crescimento ou saída.
A preparação para M&A não exige anúncios públicos. Pelo contrário. Ela acontece nos bastidores, com disciplina, método e decisões técnicas.
Quando as oportunidades surgem — e elas sempre surgem — quem se preparou escolhe o ritmo. Quem não se preparou, corre atrás.
Conclusão
O Carnaval dura poucos dias. Já as decisões estratégicas impactam o valor da empresa por anos.
Empresas que entendem isso usam fevereiro como ponto de partida para construir vantagem competitiva, fortalecer valuation e ampliar poder de negociação.
No fim, a diferença entre observar o mercado e liderar movimentos de M&A está em uma escolha simples: parar ou se preparar.
