Como se preparar para um mercado de M&A acelerado em 2026

2026 já está em curso e, com ele, começa a se desenhar um novo capítulo para o mercado de fusões e aquisições. Não é um ano de euforia nem de aquisições fáceis, mas sim um ano de cálculo, de planilha aberta e de decisões tomadas com mais silêncio do que manchetes. Justamente por isso, tende a ser um período fértil para quem sabe se preparar.

Este ano tende a marcar a retomada mais intensa das fusões e aquisições no Brasil e no mundo. Relatórios recentes, como o “M&A Trends 2024”, da KPMG, mostram que o mercado global passa por uma reorganização. Apesar da queda em 2023, há sinais de recuperação em 2024 e projeções de maior atividade em tecnologia, energia, saúde e serviços financeiros em 2026.

No Brasil, dados do Portal Fusões & Aquisições mostram que setores como fintechs, varejo digital e saúde têm ampliado seu movimento de consolidação, especialmente diante da redução de capital de risco e da pressão por eficiência. Esse cenário reforça a necessidade de preparação estratégica para empresas que desejam comprar, vender ou atrair investimentos no próximo ciclo.

A seguir, veja como se preparar para M&A em 2026 com vantagem competitiva.

1. Entenda o novo momento do mercado de M&A em 2026

Diversos relatórios apontam para uma reorganização do mercado. Embora 2023 tenha registrado queda global no volume de transações, a KPMG destaca sinais de retomada em 2024, impulsionados pela redução gradual de juros em alguns países e pela reativação de fundos de investimento.

Além disso, análises do Portal Fusões & Aquisições mostram que, no Brasil, áreas como fintechs devem continuar consolidando operações. Isso ocorre porque, com menos disponibilidade de venture capital, a fusão entre empresas torna-se um caminho natural para ampliar bases de clientes e ganhar eficiência.

Portanto, compreender essas tendências é o primeiro passo para se preparar para M&A em 2026.

2. Fortaleça a governança corporativa antes de qualquer transação

Empresas com governança forte são as que mais atraem compradores, investidores e financiadores. Por isso, antes de iniciar qualquer movimento estratégico, é fundamental estruturar:

  • conselho consultivo ou de administração atuante

  • políticas internas documentadas

  • controles financeiros e operacionais transparentes

  • relatórios de desempenho consistentes e auditáveis

Uma governança robusta aumenta credibilidade e reduz riscos durante todo o processo de M&A.

3. Prepare sua documentação e suas finanças para acelerar o processo

Para reduzir riscos e custos, empresas precisam chegar ao processo de M&A com documentação organizada. Em auditorias de due diligence, é comum que transações atrasem — ou desmoronem — por inconsistências básicas.

Antes de negociar em 2026, vale revisar:

  • demonstrações financeiras

  • fluxo de caixa

  • contratos com fornecedores e clientes

  • passivos trabalhistas

  • propriedade intelectual

  • questões regulatórias

Uma empresa que se antecipa a esses pontos não apenas acelera negociações, como também eleva sua valorização.

4. Realize avaliações estratégicas contínuas (valuation)

A volatilidade dos mercados exige que empresas revisem seu valuation com frequência. Isso permite decisões mais embasadas sobre venda, captação ou compra de outras empresas.

Entre as metodologias mais utilizadas estão:

  • múltiplos setoriais

  • fluxo de caixa descontado (DCF)

  • benchmarking com empresas comparáveis

Como tendência, empresas têm buscado relatórios trimestrais de valuation para manter previsibilidade e readiness para M&A.

Fonte confiável:
KPMG – Valuation Insights (relatórios públicos)

5. Crie uma agenda clara de M&A para 2026

Para se preparar para M&A em 2026, é essencial ter um plano estratégico, e não apenas reagir a oportunidades.

Esse planejamento inclui:

  • mapeamento de concorrentes ou parceiros estratégicos

  • critérios para analisar targets

  • definição de ativos que fortalecem a operação

  • simulações de integração pós-aquisição

Empresas com agenda estruturada têm maior velocidade ao executar deals e evitam decisões oportunistas.

6. Desenvolva competências internas para lidar com M&A

À medida que o mercado acelera, empresas precisam de equipes capazes de tomar decisões rápidas e sustentadas em dados. Isso exige profissionais com domínio em:

  • finanças corporativas

  • estratégia

  • análise de dados

  • gestão de integração

Caso a empresa não possua essas competências, uma solução prática é combinar treinamento interno com consultorias especializadas, acelerando a maturidade organizacional.

7. Defina metas e prioridades estratégicas para 2026

Saber que o mercado vai aquecer não basta — é preciso definir como a empresa quer se posicionar.

Perguntas essenciais:

  • A prioridade é vender, captar recursos ou realizar aquisições?

  • Quais capacidades serão decisivas para crescer no setor?

  • Qual o cronograma ideal para uma operação?

Responder a essas questões coloca sua empresa à frente da concorrência e pronta para agir quando surgirem oportunidades concretas.

Como o IGHER ajuda sua empresa a se preparar para M&A em 2026

O IGHER apoia empresas que buscam:

  • fortalecer governança

  • estruturar dados financeiros

  • organizar documentação para due diligence

  • definir estratégia de M&A

  • realizar valuation recorrente

  • mapear targets e oportunidades reais

Graças à abordagem boutique, o IGHER acompanha cada etapa com profundidade e precisão, preparando seu negócio para competir no mercado mais aquecido de M&A dos últimos anos.

Conheça nossas soluções:
IGHER – Boutique e M&A

Conclusão

Com expectativas de retomada e maior volume de transações, 2026 promete ser um ano decisivo para empresas que atuam em setores competitivos. Preparação antecipada é o fator que mais diferencia quem fecha bons negócios de quem perde oportunidades.

Investir agora em governança, documentação, valuation e estruturação estratégica permite que sua empresa entre no próximo ciclo de M&A com força, clareza e boas chances de alcançar resultados superiores.

Empresa vale mais separada do que inteira: o tabu ignorado do M&A brasileiro

No Brasil, ainda existe uma crença profundamente enraizada no mercado corporativo: “quanto maior, melhor”. Entretanto, diversas operações mostram que muitas vezes uma empresa vale mais separada do que operando como um conglomerado único. Em muitos casos, o problema não está em baixa performance, mas sim em excesso de complexidade estrutural que reduz o valuation e afasta investidores.

Essas organizações, frequentemente chamadas de empresas Frankenstein, reúnem unidades que individualmente são excelentes, mas que juntas formam uma estrutura pesada, incoerente e difícil de precificar. Por isso, cada vez mais estratégias de carve-outs  ( estratégia corporativa de desinvestimento onde uma empresa separa, vende ou aliena uma parte de suas operações) e spin-offs ( estratégia em que uma empresa matriz separa uma de suas divisões, unidades de negócios ou subsidiárias para transformá-la em uma nova empresa independente e autônoma) ganham espaço como caminhos para liberar valor oculto.

1. Estruturas Frankenstein: quando o todo vale menos que as partes

Ao longo das últimas décadas, muitos grupos brasileiros cresceram de forma orgânica, reactiva ou por oportunidade. Assim, suas operações passaram a acumular:

  • culturas internas que não dialogam;

  • margens e modelos de negócio incompatíveis;

  • ciclos de caixa totalmente diferentes;

  • riscos operacionais que contaminam todo o valuation;

  • governança desigual entre unidades.

Esse conjunto forma uma empresa difícil de entender e ainda mais difícil de valorar. Como resultado, investidores não enxergam um conglomerado eficiente, mas sim um conjunto de riscos, o que reduz drasticamente o interesse e o preço.

Essa lógica não é teórica. Casos recentes, como o spin-off da IBM, que separou sua divisão de infraestrutura na Kyndryl, e a divisão da GE em três empresas independentes, mostram como negócios complexos se tornam mais valiosos quando segmentados.

2. Por que separar aumenta valor?

A criação de unidades independentes geralmente aumenta o valuation por uma combinação previsível de fatores. Entre eles:

Especialização aumenta a atratividade

Investidores preferem negócios focados e com tese clara de crescimento. Unidades enxutas naturalmente recebem múltiplos maiores.

Riscos deixam de contaminar o conjunto

Uma área de baixa margem reduz o valuation de outra extremamente lucrativa. Separar evita esse efeito dominó.

Compradores diferentes aparecem

É comum que unidades distintas interessem a perfis diferentes de compradores.
Por exemplo, a divisão Health da Johnson & Johnson, que se tornou a Kenvue, despertou interesse de investidores específicos, algo que não aconteceria enquanto estivesse dentro da J&J.

Sinergias forçadas deixam de drenar valor

Sinergia que não gera eficiência real é custo. E custo reduz valuation.

3. Decomposição estratégica: a nova era do M&A

Nos EUA e Europa, estratégias de carve-outs e spin-offs crescem mais rápido do que fusões tradicionais. Relatórios da PwC e EY confirmam esse movimento: empresas estão vendendo partes para focar em seu core business e destravar valor para acionistas.

No Brasil, entretanto, esse debate ainda é recente. Por isso, quem entende essa lógica opera anos à frente do mercado.

Separar pode significar:

  • transformar unidades em empresas independentes;

  • separar contabilidade, pessoas, budgets e governança;

  • isolar riscos jurídicos;

  • preparar operações limpas para investidores;

  • estruturar S.A.s para facilitar transações.

Em essência, trata-se de engenharia corporativa aplicada ao valuation.

4. A resistência do empresário brasileiro — e o preço pago por isso

Mesmo com dados favoráveis, muitos donos resistem à ideia de vender partes do negócio. Entre os motivos mais comuns estão:

  • apego emocional;

  • percepção de que “o todo é sempre mais forte”;

  • medo de parecer menor no mercado;

  • falta de conhecimento sobre M&A;

  • visão de que “ninguém vai querer só um pedaço”.

Essa resistência custa caro. Empresas que poderiam valer o dobro permanecem estagnadas ou vendidas com deságio por insistirem em operar como um grande bloco.

5. Como saber se sua empresa vale mais separada?

Alguns sinais indicam que um carve-out pode destravar valor:

  • há operações muito lucrativas convivendo com áreas deficitárias;

  • cada unidade parece atrair um perfil diferente de investidor;

  • a empresa já funciona, na prática, como se fossem negócios distintos;

  • o valuation não avança apesar do bom desempenho;

  • sócios discordam sobre o futuro de áreas específicas;

  • a integração entre unidades é baixa ou inexistente.

Se três ou mais pontos aparecem, há forte potencial de que a empresa valha mais separada.

Conclusão: desmontar também é construir

O futuro do M&A no Brasil passa por entender que consolidar nem sempre é a melhor decisão. Em muitos casos, separar é a estratégia que realmente destrava valor. Conglomerados complexos podem se transformar em negócios altamente atrativos quando cada parte encontra sua própria lógica, governança e comprador certo.

Com assessoria especializada, o processo se torna ainda mais eficiente.

O IGHER apoia empresas em todas as etapas: análise de portfólio, diagnóstico de unidades, preparação de carve-outs, reorganização societária e condução estratégica de transações.